Método Wolbachia Alcança 100% de Foz do Iguaçu contra a Dengue
Como funciona a segunda etapa do Método Wolbachia?
O município programa a liberação diária de 140 mil mosquitos com a bactéria Wolbachia ao longo de seis meses. Três veículos oficiais percorrem rotas específicas de segunda a sexta-feira para espalhar os insetos, que cruzam com a população local e bloqueiam a replicação dos vírus transmissores de arboviroses.
Foz do Iguaçu figura como a primeira cidade de fronteira do Brasil a receber a tecnologia. A fase deflagrada no final de agosto completa o mapeamento urbano iniciado em 2024, quando o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) atendeu os primeiros 50% do território municipal.
Quais bairros de Foz do Iguaçu recebem os mosquitos?
A nova fase abrange 28 localidades, incluindo grandes concentrações residenciais como Jardim Alvorada, Vila Portes, Centro, Cidade Nova e Porto Meira. A distribuição garante que toda a malha urbana conte com a presença rotineira dos insetos modificados naturalmente.
O cronograma de campo contempla também o Jardim Bourbon, Jardim Maracanã, Itaipu B, KLP, Porto Belo, Três Bandeiras, Jardim Ipê, Itaipu A, Campus do Iguaçu, Jardim Lancaster, Jardim Carimã, Parque Monjolo, Jardim Panorama, Jardim São Roque, Morumbi (parcial), Centro Cívico, Náutica, São Roque, Três Fronteiras, Portal da Foz, Mata Verde, Jardim Cataratas e Lote Grande.
Onde ocorre a produção dos insetos na fronteira?
O cultivo dos mosquitos acontece no Núcleo de Produção Regional, estrutura instalada dentro do Horto Municipal de Foz do Iguaçu. As operações de incubação da atual etapa começaram no dia 13 de agosto, preparando a infraestrutura para entregar 700 mil mosquitos prontos por semana.
As cápsulas enviadas ao núcleo agrupam cerca de 1,2 mil ovos e ração específica. Os técnicos do município depositam esse material em recipientes com água e acompanham o ciclo de sete dias até a fase adulta. Um dia antes da circulação dos veículos, as equipes drenam os potes para a soltura.
O mosquito com Wolbachia apresenta risco para os moradores?
Os insetos cultivados pelo programa são inofensivos para a população humana e para animais domésticos. O processo é classificado como seguro e autossustentável, utilizando reprodução biológica normal sem aplicação de técnicas de modificação genética nos lotes liberados.
O gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre, relata que os moradores notarão um aumento temporário na quantidade de insetos circulando perto das casas. A recomendação da gerência é que a rotina de limpeza siga normalmente. Eliminar os focos do Aedes aegypti comum acelera a dominância da bactéria nas ruas.
Quem coordena o avanço da tecnologia no Paraná?
A iniciativa opera sob a condução técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Wolbito do Brasil, com custeio e apoio estrutural do Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e Itaipu Binacional.
O assessor da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Jorge Costa, detalha que o Ministério da Saúde baseia a escolha dos municípios em estatísticas rigorosas. A autarquia federal mapeia a série histórica de adoecimento e o perfil epidemiológico de cada cidade antes de autorizar a implementação do método.
Perguntas Frequentes
O que é o Método Wolbachia?
É uma ferramenta de controle biológico que introduz a bactéria Wolbachia nos mosquitos Aedes aegypti. O microrganismo concorre por recursos dentro do inseto e impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya, travando o ciclo de transmissão para os seres humanos.
Quanto tempo dura a soltura dos mosquitos em Foz do Iguaçu?
O cronograma da atual etapa estipula 26 semanas seguidas de liberações em ambiente aberto. A força-tarefa da prefeitura projeta seis meses de trabalho de campo diário, utilizando três caminhonetes nas rotas estabelecidas.
A soltura substitui a limpeza dos quintais?
Não. O projeto atua como uma barreira complementar. O controle de criadouros domésticos, a remoção de água parada e o uso de repelentes continuam obrigatórios para toda a população da fronteira.
Com informações da PMFI – Foto: Divulgação













