Fatos & Boatos: saúde de Santa Terezinha em debate
Fatos & Boatos: o relógio da saúde em Santa Terezinha não bate certo
A espera que ninguém agenda
Tem uma cena que quem frequenta unidades de saúde pública conhece bem. Você chega no horário, pega senha, aguarda. Aguarda mais. Depois aguarda um pouco mais. E quando percebe, já perdeu meio dia de trabalho para uma consulta que não aconteceu.
No setor de especialidades de Santa Terezinha de Itaipu, segundo relatos de bastidores que chegaram a esta coluna, o problema não é novo. Mas desta vez os números falam por si.
Quando o relógio é só enfeite
Existe uma diferença muito clara entre um serviço que atrasa por imprevistos e um serviço que estruturalmente não cumpre os horários. No primeiro caso, algo saiu do controle. No segundo, nada está no controle.
Quando um médico inicia o atendimento com mais de uma hora de atraso sobre a primeira fila do dia, o efeito dominó é inevitável. Cada paciente seguinte absorve o atraso acumulado. Quem está marcado para as 10h30 já entra no sistema em desvantagem antes de sentar na cadeira da recepção.
Isso não é crítica ao profissional de saúde, que muitas vezes trabalha em condições precárias. Isso é uma pergunta direta para a gestão municipal: quem monitora o fluxo de atendimento? Existe algum protocolo de abertura de agenda com horário real de início? Alguém fiscaliza?
- Consultas das 9h sendo encerradas depois das 11h
- Paciente das 10h30 desistiu após mais de uma hora de espera
- Ausência aparente de controle de fluxo na recepção
- Nenhum aviso ou comunicação ao paciente sobre o atraso
O custo invisível do atraso
Quem frequenta o SUS não vai por lazer. Vai porque precisa. E muitas vezes deixa serviço, filho na escola, transporte e compromisso para conseguir essa consulta, às vezes marcada com semanas de antecedência.
Desistir depois de mais de uma hora esperando não é fraqueza. É a consequência lógica de um sistema que não respeita o tempo do cidadão.
E esse custo não aparece em nenhum relatório de gestão. Não entra na estatística de consultas realizadas. Mas existe, e recai sobre quem menos pode arcar com ele.
Alô, prefeito Bim
A Prefeitura de Santa Terezinha de Itaipu, sob gestão do prefeito Antonio Luiz Bendo, tem a responsabilidade administrativa sobre os serviços de saúde municipais. Isso é fato, não boato.
Segundo informações em apuração por esta coluna, o problema de atrasos no setor de especialidades não seria um episódio isolado. Se confirmado, isso aponta para uma falha sistêmica que merece atenção da Secretaria de Saúde, e não apenas uma nota de esclarecimento.
Não se trata de apontar culpado individual. Trata-se de cobrar o que é básico: agendamento que funcione, início de atendimento dentro de um prazo razoável e comunicação ao paciente quando isso não for possível.
A gestão municipal tem espaço para responder, esclarecer e apresentar o que está sendo feito. Esta coluna está aberta.
Saúde é pauta, não estatística
A comunidade itaipuense merece um serviço que respeite sua presença. Quem agenda uma consulta no setor de especialidades não está pedindo favor. Está exercendo um direito.
Bastidores políticos têm seu charme. Mas quando o assunto cruza a porta de uma unidade de saúde, ele deixa de ser político e vira humano.
E é assim que esta coluna vai continuar cobrindo: com dado e com respeito.
Você passou por situação parecida no setor de especialidades ou em outra unidade de saúde do município? Compartilha esse texto no WhatsApp da cidade e traz o debate para fora dos corredores. A sua experiência pode ser exatamente o que falta para que isso mude.
✒️ Coluna sob responsabilidade do jornalista Gerson Cardoso
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