Evangelho de Santa Marta — 29 de Julho de 2026 | Reflexão
Lázaro morreu. Quatro dias no sepulcro. Jesus chegou tarde — ou assim pareceu para as irmãs. Marta foi ao encontro dele no caminho, antes mesmo que ele chegasse à aldeia. O que ela disse a Jesus naquele encontro é uma das profissões de fé mais completas de todo o Novo Testamento. Hoje, 29 de julho de 2026, a Igreja celebra Marta, Maria e Lázaro — os três amigos de Jesus em Betânia.
O contexto: a amizade de Jesus com os três de Betânia
O Evangelho de João 11 começa com uma informação que não aparece em nenhum outro lugar do Novo Testamento: “Jesus amava Marta, e sua irmã, e Lázaro.” O verbo usado (ēgapa) é o mesmo usado para o amor de Deus pela humanidade. Não é afeição casual. É um amor que vai ao fundo.
Betânia ficava a menos de três quilômetros de Jerusalém — onde a hostilidade contra Jesus já era evidente. Ir a Betânia era arriscar. Os discípulos lembraram isso: “Mestre, há pouco os judeus queriam te apedrejar, e vais outra vez para lá?” Jesus foi mesmo assim.
O encontro no caminho
Quando Marta soube que Jesus estava chegando, saiu ao seu encontro. Maria ficou em casa. Esse detalhe combina com o que Lucas conta (Lc 10,38-42): Marta é quem age, quem toma iniciativa. Mas aqui não é pela cozinha. É por fé.
“Disse-lhe Marta: Eu sei que ressuscitará na ressurreição, no último dia. Jesus disse-lhe: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês isto? Disse-lhe: Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.” (João 11,24-27 — Almeida Corrigida Fiel)
A fé de Marta: teologia e dor juntas
Marta não chegou ao encontro com fé fácil. Chegou com queixa embutida: “Senhor, se houvesses estado aqui, meu irmão não teria morrido.” É acusação e oração ao mesmo tempo. A dor não foi filtrada. Jesus não pediu que fosse.
O que acontece a seguir é surpreendente: mesmo no meio da dor, Marta formula uma das afirmações mais precisas sobre Jesus em todo o Novo Testamento. Não diz só “és poderoso” ou “podes curar”. Diz: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.” É a mesma confissão que Pedro fez em Cesareia de Filipe — e aqui ela vem de uma mulher em luto, falando a um amigo que chegou tarde.
“Eu sou a ressurreição e a vida”: Esta é uma das sete afirmações “Eu sou” do Evangelho de João. Antes de ressuscitar Lázaro, Jesus não diz “vou ressuscitá-lo”. Diz que ele próprio é a ressurreição. A vida não é algo que ele distribui — é algo que ele é. A diferença é total.
O que Jesus pergunta a Marta
“Crês isto?” — é a pergunta mais direta que Jesus faz no Evangelho de João. Não está pedindo um curso de teologia. Está pedindo uma resposta pessoal a uma afirmação pessoal. A ressurreição de Lázaro está prestes a acontecer, mas o que Jesus quer saber primeiro é o que Marta acredita sobre ele, não sobre milagres.
Marta responde sem hesitar. Com o luto em cima, com a perda fresca, com a queixa ainda no ar — ela diz sim. Esse é o modelo de fé que a festa de Santa Marta propõe: não a fé que espera condições favoráveis para se declarar, mas a que se declara mesmo quando as condições são as piores possíveis.
A Primeira Leitura de hoje (1Jo 4,7-16) — “Deus é amor” — forma um par perfeito com o Evangelho. João não diz só que Deus ama. Diz que Deus é amor. Jesus indo a Betânia mesmo com risco de vida, Jesus chorando diante do sepulcro de Lázaro (Jo 11,35), Jesus perguntando a Marta se ela crê — tudo isso é esse amor em ação.
Maria, Marta e Lázaro: três formas de estar perto de Jesus
A liturgia de hoje celebra os três juntos desde 2021, quando o Papa Francisco expandiu a memória de Santa Marta para incluir os irmãos. Os três representam formas diferentes de relação com Jesus: Lázaro, o amado que passou pela morte; Maria, que ouviu e ungiu os pés do Senhor; Marta, que serviu e confessou.
Nenhuma das três formas é superior. As três são necessárias.
Para quem está passando por perda
O Evangelho de João 11 é um dos textos bíblicos mais procurados em momentos de luto. Ele não nega a morte — descreve o choro de Maria, o choro dos judeus presentes, e o próprio choro de Jesus diante do sepulcro. A ressurreição não apaga o luto. Ela o atravessa.
A promessa de Jesus não é que não haverá perda. É que a perda não tem a última palavra.
Perguntas frequentes sobre o Evangelho de Santa Marta, 29 de julho de 2026
Qual é o Evangelho do dia 29 de julho de 2026?
O Evangelho de 29 de julho de 2026 é João 11,19-27. Na festa dos Santos Marta, Maria e Lázaro, o texto narra o encontro de Marta com Jesus no caminho para Betânia, após a morte de Lázaro. Jesus revela: “Eu sou a ressurreição e a vida”, e Marta responde com a profissão de fé: “Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus.”
O que significa “Eu sou a ressurreição e a vida” em João 11?
É uma das sete afirmações “Eu sou” do Evangelho de João, que retomam o Nome divino revelado a Moisés (Ex 3,14). Jesus não diz que vai ressuscitar alguém — diz que ele mesmo é a ressurreição e a vida. A vida não é algo que ele distribui como dom externo: é algo que ele é por natureza. Quem crê nele participa dessa vida mesmo depois da morte física.
Quem é Santa Marta e por que é celebrada em 29 de julho?
Marta era irmã de Maria e Lázaro e grande amiga de Jesus. Ela aparece em Lucas 10 como anfitriã dedicada, e em João 11 como a que confessa a fé em Jesus mesmo no luto do irmão morto. Os franciscanos estabeleceram a celebração em 29 de julho no século XIII, e a data ficou no calendário litúrgico. Em 2021, o Papa Francisco expandiu a memória para incluir Maria e Lázaro.
Por que Jesus chorou diante do sepulcro de Lázaro?
O versículo mais curto da Bíblia (Jo 11,35) registra: “E Jesus chorou.” O texto indica que ele viu o choro de Maria e dos judeus e se perturbou profundamente. Não foi choro de quem não sabe o que vai fazer — Jesus já havia dito que Lázaro ressuscitaria. Foi o choro de quem ama de verdade e sente com os que sofrem, mesmo sabendo o final da história.
Equipe Blog do Lago – Imagem gerada por IA













