Fatos & Boatos: a água de Santa Terezinha de Itaipu ficou com gosto de lagoa
Sabe aquele momento em que você abre a torneira, enche o copo e algo te diz que hoje não vai ser um dia comum? Pois é. Muita gente em Santa Terezinha de Itaipu passou por isso neste fim de semana. A água estava lá, transparente, sem cor suspeita. Mas o gosto… o gosto contava uma história diferente. Uma história de algas, de represa, de natureza mandando recado pela torneira da cozinha. Não foi sutil. Quem fez café sentiu. Quem aqueceu água pro chimarrão sentiu. Quem simplesmente quis se hidratar depois de um domingo preguiçoso também sentiu. E aí a pergunta óbvia surgiu em cada casa: isso é normal? A Sanepar sabe? Vai avisar alguém? Spoiler: não avisou. Mas deixa a coluna contar direitinho o que rolou.
A lagoa que veio visitar sua cozinha
Vamos combinar uma coisa. Alga em represa não é novidade. Calor, sol forte, água parada, o bicho cresce. É da natureza. Ninguém vai processar o clima.
O problema é outro.
Segundo moradores ouvidos por esta coluna, o crescimento das algas nas proximidades do ponto de captação da Sanepar teria sido mais expressivo que o habitual neste período. O suficiente para que o tratamento, aparentemente, não desse conta de eliminar completamente aquele sabor característico antes de a água chegar nas torneiras da cidade.
E não estamos falando de um leve, tênue, quase imperceptível toque. Não. Era presente. Marcante. Do tipo que você toma o primeiro gole e para na metade.
Da represa pro copo, com escala no descuido
Remover gosto e odor de algas da água exige técnica. Carvão ativado, dosagem certeira, monitoramento da saída. Não é improviso. Mas quando o usuário sente na língua o que deveria ter ficado lá na represa, alguma etapa do processo ficou com serviço a dever.
Isso acontece. Ninguém aqui está pedindo perfeição absoluta da natureza. O que se pede, no mínimo, é que a empresa saiba quando algo saiu do padrão. E que avise.
Porque avisar, isso ela poderia ter feito.
O comunicado que nunca veio
Aqui mora o caroço da questão.
Nenhuma mensagem no aplicativo. Nenhum post nas redes sociais. Nenhum SMS. Nenhuma notinha de rodapé no site institucional dizendo algo como “estamos cientes, estamos trabalhando, enquanto isso filtre a água antes de beber.”
Nada.
O consumidor que paga a conta todo mês, pontualmente, descobriu o problema da maneira mais democrática possível: pela boca. No café da manhã. No almoço. No copo d’água da madrugada.
Tem coisa que nenhuma assessoria de imprensa resolve depois do fato. O silêncio no momento certo, ou melhor, no momento errado, fala por si.
O que os moradores relataram à coluna
- Gosto forte e persistente de algas em toda a água distribuída durante o fim de semana
- Reclamações espalhadas pelos grupos de WhatsApp da cidade desde sábado
- Nenhum alerta, comunicado ou orientação emitida pela Sanepar
- Usuários sem instrução sobre fervura, uso de filtros ou qualquer cuidado adicional
- Dúvidas sobre se a situação já foi normalizada, também sem resposta oficial
Com a palavra, a Sanepar
Esta coluna buscou posicionamento oficial da empresa antes de publicar. Desta vez, a Sanepar respondeu. Confira abaixo, na íntegra, o que a empresa informou sobre o ocorrido.
📢 Nota da Sanepar:
[Bom dia,
Por favor, poderia enviar os endereços de quem reclamou? O objetivo é ver se as situações são as mesmas que chegaram ao conhecimento da empresa e f cujas as análises demonstratam que a água está dentro dos parâmetros de potabilidade.
Qualquer dúvida estou à disposição
Grata]
A coluna recebeu o posicionamento, registra o esforço de transparência e mantém o compromisso de acompanhar se as medidas anunciadas de fato se traduzem em melhora perceptível para quem abre a torneira todo dia.
Porque nota é nota. Água boa é água boa. E a diferença entre os dois, a cidade de Santa Terezinha de Itaipu já sabe identificar pelo gosto.
Que fique registrado.
Não é ataque. É protocolo jornalístico básico. Direito de resposta existe justamente pra isso: pra empresa explicar o que aconteceu, o que foi feito e o que vai mudar. A porta estava aberta.
Mas às vezes silêncio também é uma resposta. Só não é a melhor delas.
O que a comunidade itaipuense merece saber
Água não é commodity. É direito. E quando o serviço apresenta qualquer variação fora do padrão, por menor que pareça a quem está sentado numa sala de reunião, é enorme pra quem está na cozinha fazendo o mingau do filho.
A Sanepar tem tecnologia, tem estrutura, tem obrigação contratual. Tem também, por lei, o dever de informar o consumidor quando a qualidade do serviço é afetada. Não é favor. Está no Código de Defesa do Consumidor, artigo por artigo, sem margem pra interpretação criativa.
Você sentiu o gosto diferente na água este fim de semana? Deixa seu relato nos comentários. Quanto mais vozes, mais difícil fica ignorar. E se achar que sua rua, seu bairro ou seu grupo do WhatsApp precisa saber disso, compartilha o link. Fiscalizar serviço público é um ato de cidadania. E às vezes começa com um simples encaminhar.
✒️ Coluna sob responsabilidade do jornalista Gerson Cardoso
🪪 MTB: 0008931/PR
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