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Evangelho 23 de Julho: por que Jesus fala em parábolas

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    Os discípulos chegaram até Jesus com uma pergunta desconcertante: por que ele falava em parábolas, em vez de dizer as coisas diretamente? A resposta não foi simples nem tranquilizadora. Jesus disse que as parábolas não eram para facilitar a compreensão de todos. Eram, ao mesmo tempo, um presente para quem estava disposto a compreender e um desafio para quem havia fechado o coração. Essa tensão atravessa o Evangelho desta quinta-feira.

    Evangelho do Dia 23 de Julho — Mateus 13,10-17

    Depois de contar a parábola do semeador à multidão, Jesus se separou com os doze discípulos. Eles perguntaram: “Por que lhes falas em parábolas?” A resposta de Jesus começa com uma afirmação que pode surpreender: “A vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não.”

    Jesus não estava dizendo que algumas pessoas merecem entender e outras não. Estava descrevendo um processo. Quem aproxima, quem persiste, quem faz perguntas como os discípulos fizeram, recebe mais. Quem fecha, quem fica na superfície sem querer ir além, perde até o que parecia ter. A lei espiritual aqui não é injusta: ela é consequente.

    “Porque a quem tem, se dará, e terá em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.” (Mateus 13,12 — ACF)

    O Texto de Isaías e o Coração Endurecido

    Jesus cita o profeta Isaías para explicar o que acontece com quem ouve sem ouvir. A citação vem de Isaías 6,9-10: “Vós ouvireis e não compreendereis, e vendo vereis e não percebereis; porque o coração deste povo está endurecido.”

    Este texto não é uma maldição. É um diagnóstico. Isaías já havia constatado, séculos antes, que a Palavra de Deus não encontra caminho quando o coração está ocupado demais com outras coisas. Jesus aplica o diagnóstico à sua própria geração, que via os milagres e ouvia os ensinamentos sem deixar que transformassem a vida.

    Por Que Parábolas?

    As parábolas fazem o ouvinte trabalhar. Uma afirmação direta pode ser rejeitada ou aceita sem reflexão. Uma história cria um cenário em que o ouvinte se coloca dentro dela sem perceber, e só depois descobre que o julgamento que fez sobre o personagem é um julgamento sobre si mesmo. O rei Davi não percebeu que a história do pobre e da ovelha que o profeta Natã contou era sobre ele até o final, quando Natã disse: “Tu és esse homem.”

    A parábola não engana. Ela expõe. Revela o que já estava no coração do ouvinte. Quem quer ver, vê. Quem fechou os olhos antes de ouvir, sai da história sem ter entendido nada.

    16ª Semana do Tempo Comum — Quinta-feira
    Cor litúrgica: Verde. Primeira Leitura: Jeremias 2,1-3.7-8.12-13 — Deus lamenta que seu povo abandonou a fonte de água viva por cisternas abertas que não retêm água.

    O Privilégio dos Discípulos

    Jesus disse algo de peso aos doze neste trecho: “Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.” Reis e profetas da história de Israel desejaram ver o que os discípulos estavam vendo e não viram. Ansiaram ouvir o que eles ouviam e não ouviram.

    O privilégio não era de nascimento. Era de disponibilidade. Os discípulos tinham deixado tudo e seguido Jesus. Estavam dispostos a fazer perguntas, a não fingir que entendiam quando não entendiam, a permanecer diante do que era novo e desconcertante.

    A Mesma Tensão Existe Hoje

    O Evangelho desta quinta-feira não é só história. É uma pergunta ao leitor de hoje. Quantas vezes a Palavra de Deus chega, numa leitura, numa conversa, num silêncio, e é ouvida sem ser escutada? Não porque seja obscura demais. Porque o coração chegou antes dela com as respostas já prontas.

    A diferença entre os discípulos e a multidão que “via sem ver” não estava na inteligência. Estava na postura. Os discípulos fizeram a pergunta. Foram até Jesus depois, separados da multidão, e disseram: “não entendemos, explica.” Essa é a postura que abre o entendimento.

    Reflexão para Hoje

    O Evangelho desta quinta-feira faz uma pergunta concreta: você está ouvindo a Palavra de Deus com disponibilidade real, ou apenas deixando ela passar? Os mistérios do Reino não são segredos escondidos de propósito. São realidades que só se abrem para quem as busca, quem faz perguntas, quem fica quando a multidão vai embora.

    Para meditar hoje: “Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.” (Mt 13,16)

    Oração do Dia

    Senhor Jesus, que abris os mistérios do Reino aos que buscam com coração sincero, afasta de nós a preguiça espiritual que ouve sem escutar. Dá-nos a coragem dos discípulos de fazer a pergunta, de persistir, de não sair satisfeitos com o que ainda não compreendemos. Amém.

    Perguntas Frequentes sobre o Evangelho de Hoje

    Por que Jesus dizia que falava em parábolas para que alguns não entendessem?

    A linguagem de Jesus aqui segue um estilo semítico em que a consequência é descrita como intenção. Ele não falava em parábolas para confundir, mas porque as parábolas revelam o estado do coração de quem ouve. Quem está aberto, compreende e avança. Quem está fechado, não compreende — e isso já era uma condição prévia, não um resultado da parábola.

    O que significa “a quem tem, será dado”?

    É uma lei espiritual de reciprocidade. Quem se abre para a Palavra, cresce na compreensão e na fé. Quem fecha o coração vai perdendo até o que parecia ter. Não é uma injustiça divina, mas a consequência natural de uma postura persistente de recusa.

    O que os discípulos tinham de diferente das multidões?

    Foram até Jesus. Fizeram a pergunta. A diferença não estava em sua inteligência superior, mas em sua disponibilidade para ir além da experiência superficial. A multidão ouvia a parábola e ia embora. Os discípulos ficaram e perguntaram.

    Equipe Blog do Lago – Imagem gerada por IA