Portal Blog do Lago

Portal de Notícias da Tríplice Fronteira, com ênfase nas notícias e acontecimentos mais importantes da micro região oeste do Paraná: Foz, STI e SMI.
Santa Terezinha de Itaipu se destaca no Ranking ABES 2025



    Santa Terezinha de Itaipu está entre os municípios brasileiros que se aproximam da universalização do saneamento básico, segundo dados do Ranking ABES da Universalização do Saneamento 2025. O levantamento, elaborado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), revela que apenas 63 cidades em todo o país alcançaram esse patamar, o que representa somente 2,54% dos municípios avaliados.

    O dado chama atenção por revelar o quanto o saneamento básico ainda é um desafio estrutural no Brasil. Mesmo com avanços pontuais em algumas regiões, a universalização segue distante da realidade da maioria das cidades brasileiras. Nesse cenário, o desempenho de Santa Terezinha de Itaipu se torna ainda mais relevante, especialmente por colocar o município do Oeste do Paraná entre as referências nacionais no setor.

    O Ranking ABES 2025 analisou 2.483 municípios, que juntos concentram cerca de 80% da população brasileira, incluindo todas as capitais. Ainda assim, o grupo que se aproxima da universalização é extremamente restrito, o que reforça a importância de políticas públicas consistentes, planejamento técnico e investimentos contínuos.

    Santa Terezinha de Itaipu no Ranking ABES 2025

    Dentro desse cenário nacional desafiador, Santa Terezinha de Itaipu (PR) aparece como um exemplo concreto de que é possível avançar no saneamento básico mesmo fora dos grandes centros urbanos. O município obteve uma pontuação total de 455,32 pontos, posicionando-se na categoria “Compromisso com a universalização”, muito próxima do nível máximo do ranking, denominado “Rumo à universalização”.

    A avaliação considera cinco indicadores fundamentais, todos com peso igual, que juntos formam um retrato abrangente da situação do saneamento em cada cidade. Santa Terezinha de Itaipu apresentou desempenho consistente em todos eles, com destaque para a disposição final adequada dos resíduos sólidos urbanos, que atingiu pontuação máxima.

    • Atendimento com rede de abastecimento de água: 91,21%
    • Atendimento com rede coletora de esgoto: 85,38%
    • Esgoto tratado em relação à água consumida: 86,58%
    • Cobertura da coleta de resíduos sólidos domiciliares: 92,15%
    • Disposição final adequada de resíduos sólidos urbanos: 100%
    • Pontuação total no ranking: 455,32 pontos
    • Taxa de internações por doenças relacionadas ao saneamento: 12,24 por 100 mil habitantes

    Esses números colocam Santa Terezinha de Itaipu em posição de destaque não apenas no Paraná, mas também no cenário nacional, especialmente entre os municípios de pequeno e médio porte. O desempenho demonstra que planejamento, continuidade administrativa e investimento técnico fazem diferença nos resultados.

    Apenas 63 municípios próximos da universalização

    O Ranking ABES da Universalização do Saneamento 2025 mostra um panorama preocupante quando analisado em escala nacional. Dos 2.483 municípios avaliados, apenas 1,13% conseguiu alcançar a categoria máxima, considerada o estágio ideal de saneamento básico no Brasil.

    A maioria das cidades permanece em níveis intermediários ou iniciais, o que evidencia a desigualdade no acesso aos serviços essenciais e a lentidão no avanço da infraestrutura sanitária em grande parte do território nacional.

    • 74,22% dos municípios estão classificados como “Empenho para a universalização”
    • 12,36% figuram em “Compromisso com a universalização”
    • 10,87% ainda permanecem nos “Primeiros passos para a universalização”

    Esse cenário indica que, embora existam avanços pontuais, a universalização do saneamento segue sendo um desafio estrutural e de longo prazo, exigindo ações integradas entre governos, operadores de serviços e sociedade civil.

    Os cinco indicadores analisados pelo Ranking ABES

    Para garantir uma avaliação técnica e comparável, o Ranking ABES utiliza dados oficiais do SINISA e considera cinco indicadores centrais do saneamento básico. Cada um deles recebe pontuação de 0 a 100, somando até 500 pontos no resultado final.

    • Abastecimento de água
    • Coleta de esgoto
    • Tratamento de esgoto
    • Coleta de resíduos sólidos domiciliares
    • Disposição final adequada de resíduos sólidos urbanos

    Esses indicadores permitem identificar não apenas a existência dos serviços, mas também sua qualidade e adequação ambiental, oferecendo um diagnóstico completo sobre o estágio de universalização em cada município.

    Recorte regional do saneamento básico no Brasil

    O levantamento revela que todas as regiões do país ainda possuem municípios classificados nos “Primeiros passos para a universalização”. No entanto, as regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das cidades nas faixas mais elevadas do ranking.

    Essa concentração reflete diferenças históricas de investimento, capacidade técnica e estrutura administrativa. Ainda assim, o desempenho de municípios como Santa Terezinha de Itaipu demonstra que bons resultados não estão restritos apenas às grandes capitais ou regiões metropolitanas.

    Entre as capitais brasileiras, apenas Curitiba (PR) alcançou a categoria máxima, “Rumo à universalização”. Outras cinco capitais — Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e João Pessoa — aparecem na categoria intermediária superior. Já Porto Velho (RO) ocupa a última colocação entre as capitais.

    Saneamento básico e impacto direto na saúde pública

    Um dos pontos mais relevantes do Ranking ABES é a relação direta entre saneamento básico e saúde. Municípios com melhores indicadores apresentam taxas significativamente menores de internações por doenças relacionadas à falta de saneamento adequado, como infecções gastrointestinais e doenças de veiculação hídrica.

    Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, a média de internações cai de 46,78 por 100 mil habitantes nos municípios classificados como “Primeiros passos”, para apenas 14,16 por 100 mil habitantes entre aqueles que atingiram o patamar “Rumo à universalização”.

    Em municípios de pequeno e médio porte, a diferença é ainda mais expressiva. Santa Terezinha de Itaipu, por exemplo, apresentou taxa de apenas 12,24 internações por 100 mil habitantes, um número considerado baixo em comparação com a média nacional.

    Investimentos em saneamento ainda abaixo do necessário

    Apesar da importância do setor, os investimentos em saneamento básico no Brasil continuam aquém do necessário para garantir a universalização no prazo previsto pelo Marco Legal do Saneamento. Dados do Ranking do Saneamento 2025, do Instituto Trata Brasil, apontam que o investimento médio foi de R$ 103,16 por habitante em 2023.

    O valor é inferior aos R$ 138,68 registrados em 2022 e também abaixo da média nacional estimada em R$ 126,97, segundo dados do SINISA. Essa redução no volume de investimentos acende um alerta para o risco de atrasos ainda maiores na expansão dos serviços.

    Para o ambientalista Delton Mendes, o setor enfrenta um histórico de subfinanciamento. Segundo ele, a falta de investimentos consistentes ao longo dos anos resulta em infraestrutura defasada e compromete a capacidade de expansão e melhoria dos serviços de saneamento básico.

    “Existe um subfinanciamento histórico. Muitos operadores enfrentam infraestrutura antiga, defasagem técnica e falta de investimento contínuo, o que compromete a expansão e a qualidade do serviço”, destaca.

    Santa Terezinha de Itaipu como referência regional

    O desempenho de Santa Terezinha de Itaipu mostra que, mesmo diante de um cenário nacional desafiador, é possível avançar com planejamento, gestão eficiente e foco em políticas públicas estruturantes. O município se consolida como referência regional no Oeste do Paraná e exemplo para outras cidades de porte semelhante.

    Além de melhorar a qualidade de vida da população, o avanço no saneamento básico contribui para a preservação ambiental, redução de gastos com saúde pública e valorização urbana, criando um ciclo positivo de desenvolvimento sustentável.

    Em um país onde a maioria dos municípios ainda luta para garantir o básico, Santa Terezinha de Itaipu mostra que o caminho da universalização é possível — e urgente.


    Santa Terezinha de Itaipu, Ranking ABES 2025, saneamento básico, universalização do saneamento, saneamento no Paraná, saneamento e saúde, esgoto tratado, abastecimento de água, resíduos sólidos, ABES, municípios brasileiros, saneamento básico no Brasil, saúde pública, infraestrutura urbana, Blog do Lago



    Com informações do Brasil 61 – Foto: Montagem

    Santa Terezinha de Itaipu se destaca no Ranking ABES 2025">