Política monetária: 7 pontos da fala de Campos Neto
Política monetária: 7 pontos da fala de Campos Neto
Política monetária voltou ao centro do debate após declarações de Roberto Campos Neto sobre produtividade, desafios fiscais e o futuro da economia brasileira.
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a atual gestão da instituição tem feito um trabalho muito bom, apesar de enfrentar o mesmo cenário complexo que marcou seu mandato. A avaliação foi dada durante seminário promovido pelo Conselho Superior de Direito da FecomercioSP, em parceria com a Academia Internacional de Direito e Economia.
Decisões do BC e alinhamento com Galípolo
Campos Neto destacou que a condução da política monetária sob o comando de Gabriel Galípolo segue o caminho correto. Segundo ele, não teria feito nada diferente das decisões recentes, reforçando a importância de uma estratégia de longo prazo mesmo com o ambiente fiscal desancorado.
Produtividade como ponto-chave da economia
Para Campos Neto, o principal desafio econômico do momento é a produtividade. Ele defende a redução dos gastos públicos e políticas voltadas à oferta, capazes de estimular o setor privado a assumir mais riscos. O economista também ressaltou que sem aumento de produtividade, o país não conseguirá superar a equação dívida e juros.
Impactos do período pós-pandemia
Durante seu discurso, ele revisitou o período da pandemia, classificando como o maior esforço fiscal conjunto da história. O ex-presidente do BC lembrou da sincronização entre políticas fiscal e monetária, com mais gastos e juros mais baixos, o que ajudou o Brasil a evitar uma depressão profunda.
Segundo Campos Neto, a recuperação em formato de V foi desigual e marcada pela volta da inflação. O Brasil, disse ele, foi o primeiro emergente a iniciar a alta de juros.
Polarização e efeitos sobre a economia
O economista observou que a polarização política intensificada após a pandemia contribuiu para que a política passasse a influenciar mais diretamente a economia, com foco no aumento da tributação sobre o capital. Ele também citou desafios estruturais como envelhecimento populacional, baixa produtividade, carga tributária pesada e dificuldades na transição energética.
Gesner Oliveira aponta riscos fiscais e entraves estruturais
O economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, reforçou a existência de fragilidade fiscal e baixa produtividade como obstáculos centrais ao desenvolvimento do país. Ele também mencionou a infraestrutura insuficiente e a instabilidade política como fatores que dificultam avanços.
Segundo Gesner, caso o Brasil mantenha o nível atual de endividamento, seria necessário um superávit primário superior a 4% do PIB. Hoje, o país opera com uma relação dívida/PIB de 79%, acima da média de outras economias emergentes.
Investimento privado e reformas estruturais
Em meio aos desafios, Gesner destacou o bom momento dos investimentos privados, que chegam a R$ 234,9 bilhões neste ano, somados a R$ 45,1 bilhões em investimentos públicos.
Ele defendeu a urgência na aprovação das reformas Administrativa e Previdenciária e sugeriu que o reajuste do salário mínimo siga a inflação, mas com regra vinculada ao ganho de produtividade. Para o economista, o sistema Judiciário brasileiro também precisa de revisão, já que possui custo equivalente a 1,5% do PIB.
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Fonte externa recomendada:
Banco Central do Brasil
Perguntas frequentes
O que Roberto Campos Neto disse sobre a política monetária?
Ele afirmou estar alinhado com as decisões da atual diretoria e destacou que não faria diferente.
Qual é o principal desafio econômico atual?
Segundo Campos Neto, o maior desafio está na baixa produtividade do país.
Por que a produtividade é tão importante?
Ela é essencial para equilibrar gastos, aumentar competitividade e reduzir pressões sobre a dívida pública.
Com informações da Agência de Notícias DC News – Foto: Edilson Dias/FecomercioSP













