Delegado Sampaio fala sobre segurança pública em Santa Terezinha
Às 8h11 desta segunda-feira, o Jornal da Cidade, da Rádio Cidade Verão FM 104,9, recebeu o delegado Francisco Sampaio, da Polícia Civil do Paraná, para mais uma edição do quadro CONSEG. A entrevista, conduzida por Nésio e pelo conselheiro Alex — um dos responsáveis pela viabilização do espaço na rádio —, abordou os principais desafios da segurança pública em Santa Terezinha de Itaipu e as ações em curso pela delegacia local.
Maior apreensão de dinheiro da história da delegacia
A revelação de maior impacto saiu logo no fim do bate-papo: na semana passada, a delegacia de Santa Terezinha registrou a maior apreensão em dinheiro de toda a sua história — R$ 60 mil. Segundo o delegado, as investigações sobre o caso continuam em andamento e, por isso, os detalhes ainda não podem ser divulgados publicamente.
“Nunca a polícia de Santa Terezinha apreendeu 60 mil reais. Nunca”, afirmou Sampaio. “As investigações continuam, sem pressa, mas com muita mobilidade.”
Câmeras de monitoramento: delegado pede que a prefeitura aja logo
Antes da entrevista, o delegado visitou a central de monitoramento de São Miguel do Iguaçu — cidade com população semelhante à de Santa Terezinha — e ficou impressionado com o que viu. Pelo sistema, é possível rastrear placas de veículos, identificar os trajetos percorridos na cidade e localizar onde um carro estacionou. “Eu falei: descobri que eu entrei na cidade, eles foram lá, puxaram minha placa, viram as ruas que eu andei. Olha que beleza”, contou.
O delegado mandou um recado direto ao prefeito — caso estivesse ouvindo a rádio: o processo licitatório para câmeras é lento e deve ser iniciado o quanto antes. “Não adianta começar e já estar pronto. Um processo é bastante moroso, especialmente quando há questionamentos e licitação envolvida.”
Ele lembrou ainda que câmeras estão cada vez mais baratas: “Até casa simples hoje tem monitoramento. Você coloca um sistema completo por menos de R$ 100.” A questão, segundo ele, é ter vontade política para formalizar a contratação no nível municipal.
Posto da PRF: delegado alerta sobre o risco da mudança de localização
Um dos pontos de maior preocupação de Sampaio é a prevista mudança de endereço do posto da Polícia Rodoviária Federal na BR próxima à cidade. Para ele, aquele ponto funciona como um filtro: quem entra armado em Três Lagos, por exemplo, sabe que terá de passar pela fiscalização da PRF antes de chegar a Santa Terezinha.

“Um elemento mal-intencionado armado pensa: vou ter que passar pela Polícia Rodoviária. Isso inibe”, explicou. “Mesmo que a PRF não fosse para a BR, outro órgão de segurança deveria ocupar aquele ponto, porque para Santa Terezinha aquele posto é um filtro. E me preocupa a saída dali.”
DENARC na cidade: traficantes “ficam inseguros”
A delegacia conta com o suporte de um integrante do DENARC — a Divisão de Narcóticos da Polícia Civil do Paraná — que atua localmente. Segundo Sampaio, a presença do órgão de combate ao tráfico tem efeito intimidatório sobre os traficantes da região.
“O DENARC está aqui observando. Isso me ajuda muito, porque minha equipe ainda não tem o número ideal de integrantes”, explicou. Em São Miguel do Iguaçu, para efeito de comparação, a investigação conta com quatro investigadores por dia. Em Santa Terezinha, o efetivo está abaixo disso — algo que o delegado diz que tem cobrado junto a seus superiores.
Investigações de abuso sexual infantil: delegacia e CREAS em conjunto
Sampaio também citou o aumento de denúncias de abuso sexual de crianças em Santa Terezinha, recebidas em parceria com o CREAS e o Conselho Tutelar. O delegado foi direto: “É um crime que causa asco. A gente está empenhando toda a energia que pode para combater esse tipo de delito.”
A realidade do dia a dia na delegacia
Longe das grandes investigações que ganham repercussão na mídia, o cotidiano da delegacia é tomado por situações que muitas vezes não são de competência policial: inquilino que não desocupa o imóvel, dano em acidente de trânsito sem vítimas, vizinhos em disputa por questões civis. “As pessoas estão sem paciência e a empatia está muito pequena. Qualquer coisinha para na delegacia”, observou.
Ele usou uma metáfora precisa para explicar a dificuldade de prender suspeitos conhecidos: “Todo mundo que já morou em casa antiga sabe que quando tinha um rato, todo mundo sabia que ele estava em baixo do armário. Mas ninguém sabia o momento em que ele escolhia para passar de um móvel para outro. Com criminoso é igual — desconfiar, eu sei. Mas tenho que comprovar.”
Denúncia anônima: sempre bem-vinda, sem confusão
O delegado aproveitou para esclarecer um ponto que gera confusão entre a população. Há diferença entre denúncia anônima — que sempre é bem-vinda e não exige identificação — e uma queixa formal levada ao Poder Judiciário, que obriga a identificação do denunciante e o contraditório com a outra parte.
“Informação anônima tem espaço e é sempre bem-vinda — para a PM, para nós, para o Disque-Denúncia. Agora, quando a pessoa exige que o caso vá ao Poder Judiciário, a outra parte precisa saber da acusação que pesa contra ela e dar sua versão. Isso é a ampla defesa”, explicou.
Para denúncias anônimas, os canais disponíveis em Santa Terezinha de Itaipu são:
181 — Disque-Denúncia (anônimo e gratuito)
190 — Polícia Militar (emergências)
197 — Polícia Civil
Parceria entre os órgãos: o que está funcionando
Sampaio listou as relações institucionais que considera positivas em Santa Terezinha: a prefeitura atende os pedidos da delegacia, a Polícia Militar mantém boa comunicação, o DENARC apoia as investigações locais, o Conselho Tutelar é atuante e o CREAS colabora nos casos de vulnerabilidade. O CONSEG, representado por Alex na rádio, é apontado como fundamental para viabilizar o diálogo com a população.
“Eu estou muito feliz aqui em Santa Terezinha. Quando comparo com Foz do Iguaçu, onde trabalhava antes, é outro mundo. A população daqui é receptiva e os órgãos interagem bem”, afirmou.
Ouça abaixo o áudio na íntegra:
Perguntas frequentes
Quanto foi apreendido na maior operação da delegacia de Santa Terezinha?
R$ 60 mil em dinheiro — o maior montante já apreendido na história da Delegacia de Polícia Civil de Santa Terezinha de Itaipu. A operação ocorreu na semana de 14 a 18 de julho de 2026 e as investigações seguem em andamento.
Como fazer uma denúncia anônima em Santa Terezinha de Itaipu?
Pelo número 181 (Disque-Denúncia), gratuito e sigiloso. Também é possível acionar a Polícia Militar pelo 190 ou a Polícia Civil pelo 197. O delegado Sampaio reforçou que informações anônimas são sempre bem-vindas e têm peso real nas investigações.
O que é o DENARC e por que está em Santa Terezinha?
O DENARC é a Divisão de Narcóticos da Polícia Civil do Paraná, especializada no combate ao tráfico de drogas. Um integrante do DENARC atua localmente em Santa Terezinha de Itaipu, prestando suporte à delegacia e realizando investigações sobre tráfico na cidade.
Santa Terezinha vai ter câmeras de monitoramento urbano?
O delegado Francisco Sampaio defendeu publicamente a implantação de uma central de monitoramento, após visitar o sistema de São Miguel do Iguaçu. O vereador Marcelo Campos deve anunciar novidades sobre o tema no Jornal da Cidade na semana de 28 de julho de 2026.
O quadro CONSEG vai continuar no Jornal da Cidade?
Sim. O CONSEG — Conselho Comunitário de Segurança — mantém uma parceria regular com a Rádio Cidade Verão FM 104,9. O delegado Francisco Sampaio confirmou o compromisso de retornar ao programa sempre que a agenda permitir.
Equipe Cidade Verão FM














