Portal Blog do Lago

Portal de Notícias da Tríplice Fronteira, com ênfase nas notícias e acontecimentos mais importantes da micro região oeste do Paraná: Foz, STI e SMI.
Preparativos natalinos: Santa Terezinha segue sem resposta

    A chegada do fim do ano costuma movimentar o calendário das cidades do Oeste do Paraná. Ruas ganham luzes, praças se enchem de cores e o clima de Natal acaba servindo não apenas como celebração, mas também como termômetro de organização administrativa, sensibilidade social e planejamento público. Em praticamente todos os municípios da região, as prefeituras já anunciaram suas programações, inauguraram decorações ou pelo menos explicaram ao cidadão o que está por vir. Todas, menos Santa Terezinha de Itaipu, onde, até agora, ninguém sabe, ninguém viu qualquer informação oficial.

    Esse silêncio contrasta com um cenário regional bastante movimentado. Foz do Iguaçu correu para adiantar sua iluminação e atrair visitantes. Medianeira lançou agenda com shows, chegada do Papai Noel e atividades culturais. São Miguel do Iguaçu divulgou datas, horários e locais das atrações. Itaipulândia preparou a tradicional ornamentação que costuma trazer moradores das cidades vizinhas. Até municípios menores, muitas vezes com orçamento mais enxuto, já encontraram formas de comunicar suas iniciativas. Ou seja, a regra geral na região é clareza, planejamento e divulgação antecipada.

    Quando um município foge desse padrão, inevitavelmente surgem perguntas. E, no caso de Santa Terezinha, o que mais chama atenção não é a ausência de decoração em si, mas a falta de informação. A prefeitura não apresentou cronograma, não anunciou previsão e não comentou o atraso. Em política, o silêncio costuma falar alto.

    Vale destacar que a população não espera, necessariamente, um Natal grandioso ou dispendioso. O que se espera é transparência. Uma simples nota informando o estágio do processo, uma previsão de data ou até a justificativa para um eventual atraso já seria suficiente para mostrar respeito ao cidadão, que planeja a vida, organiza a rotina e participa das celebrações da cidade. O que causa estranhamento é a completa ausência de comunicação.

    A administração municipal, por sua vez, certamente enfrenta desafios internos, como qualquer outra prefeitura. Pode haver dificuldades com licitações, problemas com fornecedores, readequações orçamentárias, revisões de prioridades ou até mudanças estratégicas internas. Tudo isso é natural e faz parte da máquina pública. O ponto central aqui não é criticar a existência de problemas, mas sim a falta de diálogo sobre eles.

    O Oeste do Paraná é uma região que se destaca pela força econômica, pela união comunitária e pelo orgulho local. O Natal, embora seja uma festa simbólica, não deixa de ser um momento que reforça identidade. Para muitos moradores, especialmente crianças e idosos, a iluminação e as atrações natalinas trazem um sentimento simples, mas poderoso: o de pertencimento. Quando a cidade não se manifesta, o efeito é de vazio coletivo.

    O contraste com os municípios vizinhos também pressiona a administração itaipuense. Em uma região tão conectada e com fluxo constante de moradores entre as cidades, a comparação é inevitável. Quando uma população observa que todos ao redor já estão celebrando e apenas a sua cidade permanece parada, surge uma sensação de atraso administrativo – mesmo que não seja essa a intenção da prefeitura. A percepção pública, afinal, se forma tanto pelos fatos quanto pela comunicação (ou ausência dela).

    É claro que ainda há tempo. A prefeitura pode, a qualquer momento, apresentar sua programação, justificar o atraso, explicar o motivo do silêncio e entregar um Natal bonito e funcional. O cidadão é compreensivo quando há sinceridade e clareza. O problema, como sempre, está no vácuo de informação. Quanto mais ele se prolonga, mais espaço abre para especulações, ruídos e insatisfações que poderiam ter sido evitadas com um simples comunicado.

    Um ponto importante é que a cobrança não precisa ser encarada como crítica destrutiva. O papel da sociedade é fiscalizar, questionar e pedir explicações. E o papel da gestão pública é responder. Isso fortalece a democracia, melhora a relação entre governantes e governados e cria um ambiente mais saudável para todos. A ausência dessa troca, por outro lado, enfraquece a confiança e desgasta a imagem institucional.

    Por fim, fica a reflexão: em um período do ano que simboliza união, cuidado e esperança, o que mais se espera é proximidade entre a administração municipal e sua população. O Natal não é apenas luzes e enfeites. É um gesto público de acolhimento, mesmo que simples. Enquanto as outras cidades já se movimentam, Santa Terezinha de Itaipu continua em silêncio. O que a comunidade aguarda agora é apenas uma resposta, qualquer que seja ela. O importante é que venha.

    • Coluna sob responsabilidade do jornalista Gerson Cardoso, MTB 0008931/PR – contato: [email protected]