Brasil e Paraguai se unem contra exploração de mulheres e crianças que vem ao Brasil para esmolarem

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Autoridades brasileiras e paraguaias elaboram um relatório e devem solicitar à Polícia Federal dos dois países uma investigação aprofundada sobre a crescente exploração de mulheres e crianças paraguaias, que atravessam a Ponte da Amizade para pedir esmolas do lado brasileiro. “A situação é muito delicada e preocupante. Desde abril do ano passado começamos a verificar um aumento de mulheres e crianças que vêm ao Brasil pedir esmola nas ruas. Nossas equipes chegaram a abordar 37 mulheres e 40 crianças em situação de vulnerabilidade em um mesmo dia… A média mensal chega a 100 abordagens do gênero e a reincidência é o que mais nos preocupa”, revela o secretário de Assistência Social de Foz do Iguaçu, Elias de Sousa Oliveira.

As mulheres e as crianças não portam documento e, quando recolhidas e encaminhadas ao Consulado Paraguaio no Brasil, voltam para a atividade pouco depois.

Na maioria dos casos, eles apenas pedem esmolas nas ruas, tanto do Centro de Foz quanto na região da ponte, onde há grande movimentação de turistas, mas há casos ainda mais graves, em que meninas de 12 e 13 anos são vítimas de exploração sexual.

A resistência das vítimas e a falta de informações sobre o parentesco das crianças reforçam ainda mais a possibilidade de que elas estão sendo exploradas por uma organização criminosa. “Nenhuma delas tem documentos e isso é proposital, para que não sejam identificadas aqui. Elas são trazidas e monitoradas por uma organização paraguaia. Identificamos alguns homens e veículos que trazem essas vítimas para o lado brasileiro e, em muitos casos, vigiam-nas de longe. Tivemos casos em que funcionários da Assistência Social foram ameaçados por esses homens durante abordagem às vítimas”, relata Elias.

O trabalho de abordagem das vítimas é feito com o apoio da Guarda Municipal, pois, além de as vítimas oferecerem resistência, muitas vezes correm para tentar atravessar a rua, colocando-se em risco.

Investigação

O secretário explica que o Consulado paraguaio no Brasil entra em contato com o Codene (órgão similar ao Conselho Tutelar), que recolhe as vítimas e as leva de volta para as cidades de origem: Cidade do Leste, Presidente Franco, Hernandarias e Minga Guaçu. “A atuação do órgão, assim como a cultura e a lei de proteção às crianças e às mulheres, são diferentes nos dois países, mas precisamos nos unir e trabalhar de uma forma que a situação seja resolvida… Hoje nós atuamos do lado brasileiro, mas não há uma efetividade nesse aspecto do lado paraguaio. Por isso, nós vamos unir nossas informações, elaborar um relatório com o Consulado, que vai intermediar uma reunião em fevereiro com as autoridades do Paraguai e do Brasil para que possamos expor o caso e pedir essa união de forças e uma investigação desse esquema”, antecipa Elias.

As imagens de homens e veículos identificados serão repassadas à Receita Federal para que sejam cadastradas no sistema de reconhecimento facial implantado na Ponte da Amizade. Também serão produzidos registros fotográficos das vítimas. “Esse registro em imagem das vítimas vai auxiliar muito na investigação, uma vez que não se sabe se as crianças são mesmo filhas das mulheres com que estão. Identificamos diversas crianças que vêm cada vez com uma mulher diferente ao Brasil. Então, é preciso também investigar de onde vêm essas crianças e sob qual circunstância as mães tiveram de entregá-las, por exemplo”, ressalta Elias.

Outro fato citado pelo secretário e que facilita a atividade é que não há, em nenhum dos lados da ponte, uma fiscalização que impeça a passagem de pessoas sem documentação. “Além das vans que fazem o transporte dessas vítimas, elas também entram a pé… muitas vezes até crianças sozinhas atravessam a ponte sem que ninguém interceda e isso facilita muito para eles. Ao contrário do que acontece na fronteira com a Argentina, por exemplo, em que o controle de entrada e saída é rigoroso. Precisamos elaborar medidas e ampliar o diálogo com as autoridades, caso contrário, o trabalho de abordagem é inútil”, desabafa Elias.

Questionado sobre a possibilidade de tráfico internacional de pessoas, ele disse ser precipitado afirmar que haja relação com o esquema, mas não descarta a suspeita caso as crianças não sejam filhas das mulheres.

Atenção! Não dê esmola!

Com o monitoramento da situação, verificou-se que os dias de presença maior dessas pessoas nas ruas são terça, quarta e sexta-feira, tanto no Centro quanto na região da Ponte da Amizade. No sábado, a concentração é maior na região da ponte por conta do maior movimento.

O secretário Elias de Sousa Oliveira alerta para que turistas e moradores não deem esmola, pois a situação pode se agravar. “Nós sempre orientamos para que a população, em especial os turistas, não deem dinheiro nem uma moeda sequer. Porque, quanto mais eles arrecadam, mais lucrativo se torna e mais pessoas passam a ser exploradas dessa forma”, explica.

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