Wagner Pacheco: O semeador

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Quando eu estava no primário, o valentão da oitava série deu-me um soco no estômago. Não somente me feriu como, também, me deixou bastante irritado, o embaraço e a humilhação eram intoleráveis. Eu queria, desesperadamente, igualar o placar! Eu planejei encontrá-lo no dia seguinte no estacionamento de bicicletas e me vingar.

Por alguma razão, eu contei meu plano para Nana, minha avó – grande erro. Deu-me uma de suas lições, daquelas que duram horas (aquela mulher realmente sabia falar). O sermão foi longo e, entre outras coisas, me lembro dela dizer-me que eu não precisava me preocupar com ele. Disse: – As boas ações produzem bons resultados e as más ações produzem maus resultados.

Eu respondi, de uma maneira agradável, naturalmente, que eu estava cansado disso. Eu lhe disse que eu fazia coisas boas a toda hora e tudo o que consegui de retorno foram besteiras. Ela me encarou, bem séria, e disse:

  • Cada boa ação voltará para você algum dia e, da mesma forma, cada má ação também voltará à você. Não tenha dúvida.

Levei cerca de 30 anos para compreender a sabedoria de suas palavras.

Nana estava vivendo em uma casa de repouso em Laguna Hills, Califórnia. Toda terça-feira, eu a visitava e a levava para um jantar. Eu sempre a encontrava bem vestida, sentada em uma cadeira de frente à porta. Me lembro bem de nosso último jantar. Fomos à um simples e pequeno restaurante. Eu pedi uma carne de panela para Nana e um hambúrguer para mim. A comida chegou e enquanto eu devorava um sanduíche, notei que Nana não estava comendo.

Apenas olhava fixamente para a comida em seu prato. Puxei o prato de Nana e cortei sua carne em pequenos pedaços. Então recoloquei o prato à sua frente. Enquanto ela, muito fraca e com grande dificuldade, colocava a carne em sua boca, fui atingido por uma recordação que trouxe lágrimas aos meus olhos. Quarenta anos antes, quando era um pequeno menino, quando sentava-me à mesa, Nana pegava a carne em meu prato e a cortava sempre em pequenos pedaços, assim eu poderia comer sem dificuldades.

Levou 40 anos, mas a boa ação tinha sido retribuída. Nana estava certa. Nós colhemos exatamente o que semeamos. “Cada boa ação que você fizer, algum dia voltará à você”.

Ah! E quer saber sobre o valentão da oitava série?
Apanhou e correu do valentão da nona série.

Bom dia!!

(Tradução de Sergio Barros)

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