Iniciativas em Foz incentivam acolhimento e respeito no atendimento a adolescentes

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Em Foz do Iguaçu, no extremo Oeste do Paraná, somente em 2017 nasceram vivos 531 bebês filhos e filhas de mães com idade entre 10 e 19 anos. O índice representa 12% dos nascimentos no município, de acordo com o DATASUS. Na busca por ações que ajudem a reduzir esses índices, assim como evitar que uma segunda gravidez não intencional aconteça na adolescência, profissionais de diferentes setores têm investido em informações acessíveis e em serviços mais acolhedores.

O município participa do projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, iniciativa da ITAIPU Binacional em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil. Ao lado de outros 50 municípios, Foz do Iguaçu tem sido representado nos módulos de capacitação do projeto por 15 profissionais de diferentes áreas, como educação, saúde e assistência social. Os conhecimentos adquiridos e compartilhados nas oficinas têm servido para inspirar novas ações e para aprimorar serviços e iniciativas em andamento.

Estímulo ao diálogo

Dentro da assistência social, o Centro de Juventude de Foz do Iguaçu aposta no diálogo aberto com adolescentes em ações que os estimulem a falar, a se expressar e a serem protagonistas das decisões relacionadas às suas vidas. Em 2019, com o apoio programático de alunos da universidade parceira Uniamérica, foi iniciado um grupo de debate focado especificamente em sexualidade. Os encontros acontecem a cada 15 dias e abordam temas como relacionamento, afetividades, respeito e limites.

Segundo a psicóloga do Centro da Juventude, Gláucia Emília Warken de Souza, os temas trabalhados nas oficinas do projeto, assim como as dinâmicas e a possibilidade de integração com outras áreas que também trabalham com adolescentes, têm sido inspiradores para o trabalho desenvolvido por ela e a equipe. “As formações do projeto são um incentivo e uma inspiração para mim, porque ajudam a ter uma visão melhor de organização das temáticas e permitem o contato com outros profissionais, como médicos e enfermeiros. Isso amplia nosso olhar e nos incentiva a pensar em ações conjuntas”, afirma. 

“Nós estávamos com essa demanda de falar com adolescentes e jovens, mais especificamente sobre sexualidade, em vários níveis – desde prevenção da gravidez na adolescência até a diversidade sexual, relacionamento com pais e conflitos familiares por conta de relacionamentos nessa fase. Esse projeto integrador veio com temáticas que abrangiam esses assuntos e o resultado que podemos ver é o engajamento dos e das adolescentes nos temas, participando ativamente dos grupos”, destaca a psicóloga.

“Nosso grupo de alunos tinha a ideia de trabalhar sobre a prevenção da gravidez e de IST e fomos atrás de organizações parceiras”, explica a estudante de psicologia Paula Oliveira dos Santos, que também está à frente do grupo de debate com adolescentes no Centro de Juventude. “A ideia sempre foi ser um grupo participativo, onde adolescentes pudessem ser protagonistas na construção desse processo, que eles e elas pudessem trazer suas dúvidas sem vergonha e sem julgamento”, completa.

Maria Teresa Savio Blanco, de 15 anos, é uma das participantes do grupo de discussão. Para ela, as reuniões têm sido importantes, principalmente para tirar dúvidas. “Eu sempre tive vergonha de falar algumas coisas com minha mãe. Como tem essas pessoas que se colocam à disposição para ajudar a gente, é muito útil. Algumas pessoas tiram dúvidas no grupo que eu percebia que eu também tinha. As pessoas falam honestamente no grupo, tiram dúvidas de uma forma calma e explicativa”, afirma.

Para Letícia de França Guedes, de 14 anos, o grupo tem sido um local onde ela se sente segura para conversar sem julgamentos. “No começo eu tinha um pouco de vergonha de participar e fazer perguntas. Depois de um tempo a gente passou a participar bem mais. A gente aprende bastante coisa, eles ajudam bastante nas nossas dúvidas, que não temos coragem de perguntar para outras pessoas. Também ajudou a criar um vínculo de amizade entre o grupo, e a gente aprendeu a conversar mais”, completa.

A preocupação com o acolhimento a adolescentes também está presente mesmo quando uma gravidez não intencional acontece. Para estes casos, profissionais de saúde do município têm buscado aprimorar serviços livres de julgamentos e preparados para atender a demandas de forma amigável e acessível. 

Um dos locais que tem apostado nessa abordagem é o Poliambulatório Nossa Senhora Aparecida, na região do Porto Meira. É ali que Daniele Vieira de Oliveira, de 15 anos e grávida de três meses, está fazendo o pré-natal. “Eu me sinto bem acolhida aqui, o atendimento é rápido, posso vir sozinha, sem minha mãe. O hospital tem que atender com educação, com carinho, com respeito, sem julgar se a pessoa  está muito nova para estar grávida”, afirma. “A gente se sente à vontade falando com o pessoal aqui, principalmente com o médico e com a enfermeira. Eles falam a nossa língua, sem palavras complicadas, eu me sinto bem à vontade para tirar dúvidas”, destaca.

“A gente sempre teve vontade de fazer trabalho com gestantes. Como aqui é uma área bem vulnerável, a percebemos que existem muitas gestantes adolescentes. Isso preocupa muito a equipe, sempre pensamos no que fazer para melhorar o planejamento familiar e tornar as ações mais efetivas”, explica uma das enfermeiras do Poliambulatório, Cinthya Oliveira Strada. Cinthya faz parte do grupo de profissionais que estão representando Foz do Iguaçu nas capacitações do projeto da ITAIPU e do UNFPA.  Ela afirma que, com o aprendizado obtido nas oficinas, está sendo possível aprimorar ações que já eram desejo da equipe, como a identificação e o acompanhamento mais acolhedor das adolescentes, inclusive as gestantes.

“Muitas adolescentes têm vergonha de procurar atendimento, outras escondem a gravidez por muito tempo. É importante melhorar o acesso e oferecer um bom atendimento, um atendimento acolhedor, sem julgamentos e sem críticas. Isso torna as gestantes mais próximas da gente, cria vínculo. Depois que ela está gestante, nosso foco tem que ser cuidar da melhor forma dela e do bebê. E o projeto tem ajudado muito nesse processo”, completa.

Sobre o projeto

Iniciado em 2018, o projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná prevê ações em Saúde, Educação, Gestão do Conhecimento e Comunicação. As ações têm foco no desenvolvimento socioeconômico, criando e ampliando oportunidades para que adolescentes e jovens ajudem na construção de serviços acolhedores de saúde e também tenham garantidas condições de ampliar suas habilidades para a vida e competências socioemocionais.

Leia a matéria completa no UNFPA clicando aqui!

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