Por que esse Boeing 737-200 está parado num gramado em Foz?

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Ele está parado há anos em Foz do Iguaçu e sendo muito bem preservado, diferente do DC-3 que foi destruído sem o menor pudor no Galeão, pela Massa Falida da Varig. Conheça a história desse “Sucatinha” da FAB que hoje encanta os turistas nas Cataratas do Iguaçu.

Esse avião que você na imagem acima é um Boeing 737-200 que voou por quase 35 anos na Força Aérea Brasileira e foi apelidado de “Sucatinha”. Tendo transportado oito presidentes entre 1976 e 2010 e até o Papa João Paulo II, sua história quase se perdeu, até um empresário assumir a responsabilidade por sua preservação.

Aposentado

Após sua aposentadoria, em 2010, o jato foi encaminhado à Base Aérea de São Paulo. Por algum tempo, ele manteve a boa forma e chegou até a ser apresentado em um evento de Portões Abertos da FAB, mas sem dinheiro e sem cuidados adequados, o avião começou a se deteriorar, aproximando-se de um destino nefasto.

Com o passar do tempo, o FAB 2115 virou morada de pássaros e marimbondos no pátio da BASP e precisava urgentemente de cuidados para não ter o mesmo fim que alguns dos seus irmãos maiores, os Boeing 707, que foram totalmente desmanchados em 2014 e reduzidos a uma pilha de entulho. Mas, em 2016, sua sorte parecia mudar.

Salvador da pátria

O empresário e piloto Eloy Biesuz, dono da empresa de táxi aéreo Helisul, é um daqueles aficionados por aviação. Em sua fazenda, localizada na comunidade de Barra Grande, em Itapejara D’Oeste, Região Sudoeste do Paraná, ele preserva dois Boeing 737-200 que pertenceram a VASP, juntamente com outras aeronaves de pequeno porte.

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Cuidadoso, o empresário fez questão de manter um dos Boeing em plenas condições de voo, mesmo sabendo que o “breguinha” de prefixo PP-SMH dificilmente voltará aos céus um dia. Como próximo passo, Biesuz planeja construir um platô, onde o Boeing poderá se mover.

A inauguração ainda não tem data, mas ele pretende convidar a tripulação do último voo do avião. Encontrar as pessoas talvez não seja tarefa difícil, porque o empresário tem o nome de toda a tripulação, que ficou anotada no livro de bordo da aeronave.

Mas vamos voltar ao nosso “Sucatinha”.

Pátria Salva

Em 29 de fevereiro de 2016, o empresário paranaense renovou as esperanças do FAB 2115.

Com intuito de preservar a cultura aeronáutica brasileira, a empresa da táxi aéreo Helisul assinou um contrato com a FAB para uso e concessão de bem cultural, que lhe tornou responsável pela preservação do “Sucatinha” nos próximos dez anos.

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O Sucatinha chegando em Foz – Foto de julho de 2016

Um dos momentos memoráveis desse acordo aconteceu em julho do mesmo ano, quando o Boeing 737 foi desmontado e retirado em duas carretas do pátio da BASP, de onde seguiu por estrada, numa viagem especial até sua nova morada em Foz, em 12 dias. Uma vez no Paraná, a equipe de mecânicos da Helisul foi responsável pela montagem e restauração, que levou cerca de três meses para ser finalizada, mas o deixou impecável.

Hoje, o VC-96 FAB 2115 está exposto junto ao heliporto da empresa, que fica na avenida das Cataratas, em frente ao Parque das Aves e a poucos metros do estacionamento principal do Parque Nacional do Iguaçu. Quem passa na estrada consegue ver o 737 em destaque na paisagem e é normal muita gente parar para fazer fotos com ele de fundo.

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Imagem do Google Maps mostra a localização do Sucatinha

Esse é um verdadeiro exemplo de como um empresário apaixonado por aviação transformou uma sucata em deterioração numa atração da linda cidade de Foz do Iguaçu.

Vale a pena dizer que há muita gente na Força Aérea Brasileira que é bem intencionada e comprometida com a história da aviação brasileira, mas, infelizmente, o Brasil não tem verbas que permitam manter uma aeronave como essas em condições apropriadas. No total, a FAB operou dois aviões desse modelo, e o outro está no Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro, que é mantido pelo Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

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A história do FAB 2115

Em 19 de agosto de 1976, o Grupo de Transporte Especial (GTE) da Força Aérea Brasileira recebia o primeiro Boeing 737-200 com a designação militar de VC-96 (FAB 2115) e vinte dias depois o segundo (FAB 2116).

As aeronaves faziam parte de uma encomenda original da VASP, mas acabaram nunca voando na empresa paulista. Ao invés disso, acabaram destinadas ao governo para substituir dois jatos ingleses BAC 1-11 que eram empregados desde 1968 no transporte de membros dos poderes executivo e legislativo. Em seu interior, cabiam 6 tripulantes e 40 passageiros, numa configuração VIP que contava até com uma suíte.

Em 1980, o VC-96 cumpriu uma missão que ficou marcada para a história, tendo sido utilizado como transporte oficial do Papa João Paulo II durante sua visita a onze estados em todo o país.

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O Sucatinha ainda em operação na FAB – Foto de Luis Neves

Ao longo de sua vida, os aviões receberam o apelido de “Sucatinha”, em alusão ao tempo de uso e ao apelido dado a seu irmão maior. O Boeing 707 era conhecido como “Sucatão”, cujo nome lhe foi dado em 1996, devido aos inúmeros problemas de manutenção, além de serem barulhentos.

E, de fato, assim como seu irmão maior, o “Sucatinha” também teve vida longa, a qual veio ao fim 2011, quando o governo os trocou por dois modernos Embraer E190-E1 (VC-2). Ao longo de seus mais de 30 anos na FAB, os 737 acumularam mais de 50 mil horas de voo, transportando ministros, presidentes e legisladores.

Preservar

Preservar a nossa história, envolve mais do que uma relação de conhecimento e respeito aos momentos que marcaram época. Quando uma historia termina, não tem porque rasgar o livro, basta guardá-lo em um canto protegido e abrir outro.

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